dezembro 30, 2020

Design Intuitivo e performance

Intuição
substantivo feminino
faculdade ou ato de perceber, discernir ou pressentir coisas, independentemente de raciocínio ou de análise.

 

Em quais momentos você faz uso da sua intuição? É possível executar um trabalho técnico sem perder a magia? Como viabilizar a produção de figurinos com poucos recursos? E como criar em momentos de ansiedade e tensão?

 

Esses foram alguns guias que inauguraram a oficina de Design Intuitivo e performance, maravilhosamente ministrada pela dupla dinâmica  Miss Immigration (identidade adotada pela bonita Euvira depois que partiu para Berlim) e  Léo Teófilo, designer de produto e artista da moda responsável por executar todos os looks bafônicos de Miss Immigration em festas consagradas como a ODD, MAMBA NEGRA e Carlos Capslock (SP).

 

Do lado de cá da telinha (e do Atlântico), participantes de vários pontos da terra brasilis que atuam em segmentos também diversos marcaram presença para aprender, trocar, criar e compartilhar ideias pessoais e coletivas. Pessoas de Beagá, São Paulo, do interior da Bahia e do Rio Grande do Sul. Vantagens do online.

 

 

O online permite esses encontros, mas também traz novas exigências de performances e ferramentas. Por isso, nem só designers e performers estiveram presentes na oficina. Participaram também, por exemplo, um professor de colégio e uma professora reikiana, afinal, construir um processo criativo é prática que pode (e deve!) ser aplicada a qualquer profissão, especialmente em um momento de ruptura que naturalmente nos impõe várias transformações.

A nós nos resta… transformar

 

Performar diz muito dessa oportunidade que temos de transformação, de ser surpreendente e extraordinárie; de renascer, se reconstruir, reinventar a nós mesmos e os espaços que ocupamos. É sobre se expressar, marcar presença, se comunicar, existir.

 

Imaginar possíveis transformações (para si e para nosso pedaço de mundo) foi um exercício constante para a turma, afinal, é a partir desse exercício que conseguimos gerar impacto. Por meio de nossos corpos, que estão sempre performando, somos capazes de provocar, estimular, chocar e dizer muita coisa em linguagens não-verbais. O design é uma continuidade desse corpo que fala, e agrega muito mais sentido à performance.

 

Desenvolver figurinos é criar relações estéticas e semióticas em diferentes níveis, que vão desde o nosso mundinho interior até o que nos é externo. Ao performar, manifestamos valores, paixões, raízes, sonhos e medos; externalizamos o que é visceral; conferimos política ao que temos de mais potente: nosso corpo. No que toca especialmente ao universo das festas e da noite, performances e figurinos são uma extensão desses momentos — os corpos são a base para uma grande obra artística e, sem dúvidas, partes essenciais da festa. O papel da performer é potencializar nossos sentidos, fazendo com que a gente consiga enxergar a música, para além de ouvir e dançá-la. Aleluia arrepiei!

 

Por isso e por muito mais, um figurino nunca é só um figurino. Ou pelo menos não deveria ser. Ceci n’est pas une montação, apenas, e quanto mais conceito for agregado ao longo do processo de criação, mais impactante será o resultado. Para definir o conceito, é importante partir da identidade visual da festa e somar a ela suas próprias viagens, referências e (ins)pirações.

 

Miss Immigration levou para Berlim muito mais que sua bagagem física, mas todo um universo de vivências latinas. Cores, acessórios e sua própria ancestralidade ajudam a compor sua identidade. A mudança de nome também foi peça-chave nesse processo de reinvenção: mudar de nome muda sua identidade e naturalmente você vai se (re)descobrindo, se propondo a novas coisas. Suas maiores referências estéticas são latinas e afrofuturistas, trazendo em seu trabalho um poderoso resgate cultural, artístico e filosófico de sua história.

 

Foto: Instagram Miss Immigration

 

Quem eu sou?
Como me vejo?
Como faço?
Tou pronta!
Tou bonita?

 

Depois dessa checklist coletiva babadeira, muitos exemplos visuais, exercícios práticos, dicas de garimpo e aprimoramento, a turma sai do último encontro com a cabeça borbulhando de novas ideias e certamente com mais maturidade criativa. Entre peças coringas, achados únicos inusitados, uma intuição apurada que sente e sabe onde procurar, muita coisa brilhante vem ao mundo. Ainda bem!