dezembro 8, 2020

Entrevista com Lila Tirando a Violeta

Já dá pra sentir a brisa fresh do Río de la plata! É que conversamos com Camila Dominguez, a mente por trás do projeto Lila Tirando a Violeta, que vem de Montevidéu (Uruguai), para se apresentar no Clubbers da Esquina. Lila é DJ, produtora, artista performática e uma das integrantes do selo NAAFI. Seu trabalho bebe de referências como perreo, reggaeton, PC music, cultura gótica e anime. Ela participa do festival junto com sua amiga, a artista Hiela Pierrez, e antes disso, ela bateu um papo com a gente. Disfruté mucho!

Oie, Lila! Como anda a vida em Montevidéu?
Estamos no início do verão, tudo muito tranquilo por aqui. Por sorte tocamos ao vivo pela primeira vez no ano, na semana passada! Foi muito bom voltar aos palcos.

Anime, estética gótica, perreo, anos 90 e muito mais. O que passa na sua cabeça quando está fazendo um set? 
Eu adoro a ideia de fazer um híbrido de estilos, para que o set seja uma produção que mude de forma e tempo radicalmente. Nem gosto tanto de contar uma história, eu prefiro transmitir sensações como se fosse uma música inteira de 50 minutos. 

Teu projeto A.M.I.G.A é incrível! Quando e como começaram este duo?
Muito obrigada! Comecei com Hiela Pierrez há três anos. Tínhamos projetos juntas antes. Nós duas queríamos encarar um projeto inclusivo e autogestionável, tão performático como sonoro, que soaria como uma espécie de PC music latino, algo que sentíamos falta na região. E assim foi acontecendo.

“Verano 2020” será melhor que o de 2019?
Isso era o que a gente esperava, mas infelizmente não aconteceu por causa do Covid. Temos que fazer uma canção dedicada ao Verão de 2022, esperando que esse seja sim melhor. 

Você é uma das integrantes do NAAFI, um coletivo muito importante para a música eletrônica latinoamericana. Como é a experiência de trabalhar com esses artistas?
É genial! De verdade, foi uma honra para mim lançar um álbum com eles. Me fascina o que todes artistes do selo fazem. São uma inspiração e inovação total. 

Como é a cena eletrônica de Montevidéu? O que você mais gosta daí? E o que você não gosta?
Montevidéu é uma cidade pequena, mas com uma cena alternativa muito potente. Eu gosto muito do que tem nascido aqui nos últimos anos, que é um grande movimento de artistas emergentes com muitíssimo potencial. O que eu não gosto é que, no geral, não há recursos, nem financiamento para o estilo de música que fazemos e às vezes a autogestão se torna algo ruim. Espero que isso mude com o tempo. 

Como você imagina o apocalipse na terra?
Eu imagino como em Akira ou Mad Max, distópico, Neo-Montevidéu 2047. 

Como será seu set para o Festival Clubbers da Esquina?
Será um set muito dinâmico que realizo junto com a minha amiga Hiela Pierrez, incluindo várias de nossas canções e passando também por remixes de grandes hits desconstruídos para dançar muuuuito. E como de praxe, tudo com muita performance e humor.